Ceuta. Von der Leyen elogia Espanha e Marrocos mas pede reforços nas fronteiras

Ceuta. Von der Leyen elogia Espanha e Marrocos mas pede reforços nas fronteiras

A presidente da Comissão Europeia apela a uma "resposta europeia comum" para reforçar as fronteiras do bloco europeu.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Alina Smutko - Reuters

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enviou esta segunda-feira uma carta ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a elogiar a resposta do Governo espanhol e de Marrocos à crise em Ceuta, após a entrada de cerca de 50 mil pessoas em Ceuta a semana passada.

Na carta, à qual a Reuters teve acesso, Von der Leyen felicita os Governos de Espanha e de Marrocos por terem gerido a crise na cidade autónoma “de forma eficiente e eficaz” e por terem “impedido com sucesso a transferência ilegal para o continente espanhol e para a Europa”.

Aplaude ainda as novas medidas adotadas pelo Governo espanhol “para evitar novas chegadas ilegais”.

No entanto, a presidente da Comissão Europeia considera que “após este incidente, é evidente que precisamos de reforçar ainda mais as nossas fronteiras em pontos críticos”.

"Em cooperação com Espanha, especialmente em tudo o que esteja relacionado com Ceuta e Melilla, poderíamos reforçar a gestão das fronteiras, os sistemas de alerta prévio e melhorar o nosso apoio técnico e financeiro a Marrocos", escreveu Von der Leyen na carta, garantindo que a Frontex “está pronta para reforçar a presença em Ceuta e noutras partes da fronteira externa”.

“A solidariedade europeia está no centro do projeto europeu. A Espanha e o seu povo podem contar com o apoio contínuo da Comissão e com a força da nossa União para superar este desafio”, conclui.

A carta de Von der Leyen é uma resposta a uma outra carta que lhe foi enviada por Pedro Sánchez, no sábado.

Na carta, o primeiro-ministro espanhol criticou a atitude “egoísta” de alguns membros da UE e pediu uma reunião de emergência dos ministros da Administração Interna dos 27 Estados-membros, que ficou marcada para terça-feira.

Esta reunião permitirá "aprender com os erros" com o episódio de Ceuta e trabalhar numa "resposta europeia comum" aos desafios da imigração ilegal, afirmou Ursula von der Leyen.

O fluxo sem precedentes de migrantes que entraram à força no enclave espanhol de Ceuta, no norte de África, desencadeou uma crise diplomática na Europa.

Vários Estados-membros, liderados pela Itália e pela Dinamarca, apelaram à suspensão da Espanha do Espaço Schengen, o que irritou Madrid. 
Itália suspendeu mesmo os acordos Schengen com Espanha e fechou as fronteiras aéreas e marítimas.

Pelo menos 72 migrantes morreram na travessia dos últimos dias, de acordo com as autoridades espanholas. Do lado de Marrocos, há registo de 11 mortes.

O Governo espanhol assegura que a maioria dos migrantes que entraram em Ceuta entre quinta e sexta-feira já regressou a Marrocos. No entanto, mais de 860 migrantes menores continuam no enclave espanhol.
PUB